domingo, 4 de janeiro de 2009

E a política ferve no Rio...


O primeiro dos posts de 2009 é dedicado a traçar um panorama político dos quatro grandes clubes do Rio de Janeiro, relembrando os fatos mais importantes dos últimos doze meses e projetando a temporada. E as previsões para o ano vindouro não são nada animadoras.

Imerso em um turbilhão administrativo, o Vasco finalmente atingiu o que há muito já se desenhava: a inevitável queda para a Série B do Campeonato Brasileiro. A busca em brados por culpados pela situação vexatória da equipe teve quase em uníssono o nome do ex-presidente Eurico Miranda. 

Acusado de improbidade administrativa, enriquecimento ilícito, além fraudes fiscais e eleitorais, o cartola deixou o comando do clube em meados de junho último, após disputa ferrenha nos Tribunais de Justiça. Não bastassem as dívidas, o sucessor Roberto Dinamite herdou um planejamento fadado ao fracasso. Principal prova disso foi a promoção, no início de 2008, do ainda atleta Romário ao cargo de técnico do time, posto até então nunca ocupado pelo ex-atacante. 

Desde a péssima campanha no Estadual do Rio, as trocas de treinador se tornaram constantes em São Januário. No último ato, Renato Gaúcho foi contratado para a ingrata missão de livrar o elenco cruzmaltino da degola, o que não se concretizou.

Surpreendentemente, após a queda, os ânimos no Gigante da Colina parecem ter se acalmado. Ainda assim, Dinamite sofrerá pressões de todos os lados, principalmente da oposição, para levar o clube de volta à elite do futebol nacional já em 2009. No final das contas, o ex-mandatário pode sair fortalecido caso o Vasco se mantenha na segunda divisão. 

No Flamengo, perspectivas de uma temporada ainda mais agitada que a do arqui-rival. Em ano eleitoral, o atual presidente Márcio Braga tratou de antecipar que o caldeirão político ferve na Gávea. “Estamos sempre sentados na beira de um vulcão. A bunda está sempre quente”, disse em entrevista ao site Globoesporte.com

Até aqui, pelo menos dez conselheiros mostraram-se interessados em ocupar o cargo máximo no clube. Além disso, a perda da vaga na Libertadores na última rodada do Brasileirão tornou o ambiente desfavorável para a atual diretoria. O vice de finanças, José Carlos Dias, renunciou após denúncias de gastos indevidos no projeto de construção de um estádio, que sequer saiu do papel. 

Outro complicador foram as inúmeras declarações desastrosas de Márcio Braga durante a última competição nacional, principalmente ao afirmar, em certa ocasião, que o Flamengo já preparava a festa para o hexacampeonato. 

Situação mais cômoda, mas não menos preocupante, passa o Fluminense. O clube demitiu recentemente o coordenador de futebol e ídolo Branco, mas não por falhas cometidas durante o tempo em que esteve no cargo. A culpa foi de um processo que o ex-jogador move contra o clube, no qual teve ganho de causa. A diretoria do time das Laranjeiras recorreu.

Para o seu lugar, foi contratado Alexandre Farias, que exerceu a mesma função no Atlético-MG, no ano passado. O problema, neste caso, são as nebulosas ligações que o agora dirigente tricolor mantém com empresários, sendo acusado de aliciar atletas. O presidente Roberto Horcades é outro que não goza o mesmo prestígio de outrora. 

Apesar do vice-campeonato na última edição da Libertadores, o cardiologista sofre com pressões internas de conselheiros opositores que pedem a sua saída. Até mesmo a vitoriosa parceria com uma empresa de planos de saúde está abalada. 

O Botafogo parece ser o clube que deve ter a temporada mais tranqüila entre os cariocas no que diz respeito à administração. A nova diretoria, tendo à frente o dentista Maurício Assumpção, assumiu o comando no último dia 1°. No entanto, o pedido de desligamento do até então vice de futebol na sua chapa, Marcos Portella, às vésperas da eleição, na tentativa de criar uma oposição, quase esquentou o clima. 

Antes mesmo de terminar seu mandato, Bebeto de Freitas renunciou à presidência para assumir o futebol do Galo. O polêmico Carlos Augusto Montenegro foi mais um a deixar General Severiano. Resta agora esperar o início do Estadual do Rio para sabermos se a técnica dos jogadores prevalecerá sobre a política dos clubes.