domingo, 6 de dezembro de 2009

Petkovic, o verdadeiro e legítimo Imperador do Rio na década


O monarca do futebol fluminense na primeira década do século XXI é natural de um país sem a menor tradição boleira e tem nome difícil: Dejan Petkovic. O título brasileiro conquistado pelo Flamengo sob a batuta do novo velho maestro coroa a passagem do jogador pelo Rio de maneira que nem mesmo o mais otimista rubro-negro esperava.

Reservado, articulado, inteligente, empreendedor, culto. Adjetivos não faltam a este atleta de 37 anos que superou, além da expressão nula da Sérvia no futebol mundial, as constantes guerras civis que assolaram sua nação, duas vezes separada.

Em dez anos de idas e vindas no Rio de Janeiro, o gringo, que chegou a atuar sem destaque pelo poderoso Real Madrid, defendeu com louvor e títulos três dos mais importantes clubes da cidade: Flamengo, Vasco e Fluminense. Mas foi na Gávea que Pet escreveu suas mais brilhantes páginas.

Sua estreia carioca aconteceu em 2000, justamente pelo time rubro-negro. Nesta temporada, o desentendimento do meia com o atacante Edílson até poderia ser o principal acontecimento em seus primeiros anos no clube, mas as conquistas superaram de longe a briga de egos.

Dois estaduais e uma Copa dos Campeões, que levou o Flamengo à Libertadores de 2002. No entanto, o título em âmbito nacional ficou quase esquecido após um lance que Pelé não pensaria duas vezes em assinar.

Uma cobrança de falta precisa e decisiva aos 43min do segundo tempo. Não bastasse a notória dramaticidade da jogada, este gol valeu muito mais que um tricampeonato estadual. Valeu a eterna gozação dos flamenguistas aos rivais vascaínos, que amargaram a derrota nas três ocasiões.

A compensação, ainda que não na mesma proporção, aconteceu em 2003, quando o sérvio liderou o time de São Januário no triunfo na Taça Guanabara, que, mais tarde, resultaria no título fluminense – o último do clube, por sinal. Pet se transferiu para o futebol chinês no meio da competição e não pode erguer a taça.

De volta ao Vasco na temporada seguinte, o estrangeiro foi um dos poucos a se salvar na pífia campanha no Brasileirão, livrando o time do rebaixamento. O destaque no elenco cruzmaltino valeu um contrato e os petrodólares do Al-Ittihad, da Arábia Saudita.

Seis meses e visibilidade zero foram suficientes para o jogador aceitar voltar ao seu berço futebolístico, desta vez pelo Fluminense. Apesar de disputar poucas partidas pelo Tricolor no ano, Pet anotou seu nome na história do clube, ao marcar o milésimo gol em Campeonatos Brasileiros. Mais uma de suas obras-primas, aliás, ao deixar três cruzeirenses no chão e concluir na saída do goleiro, na goleada por 6 a 2 em pleno Mineirão.

De quebra, o meia foi eleito o melhor jogador de sua posição na competição nacional. Em 2006, Tricolor das Laranjeiras não obteve grande destaque, mas o prestígio de Petkovic mantinha-se inabalável. O camisa 10 chegou a vetar a contratação do desafeto Edílson pelo Flu.

Dois anos e meio de quase ostracismo em tradicionais clubes nacionais, como Goiás, Santos e Atlético-MG, fizeram com que os críticos classificassem o sérvio como um ‘ex-jogador em atividade’.

Tanto é que seu retorno ao Rio de Janeiro, no meio de 2009, virasse motivo de chacota dos rivais e alívio aos combalidos cofres do Flamengo, clube que o ‘acolheu’. A vontade do jogador em encerrar sua carreira pela equipe que mais lhe trouxe alegrias fez com que Petkovic abrisse mão de processos judiciais ocasionados por uma pomposa dívida adquirida em seus tempos áureos de Gávea.

Tal medida levou, inclusive, ao afastamento voluntário de dirigentes contrários à contratação do meio-campista. Reserva e conselheiro do elenco rubro-negro em um primeiro momento, o gringo ganhou espaço com a chegada do técnico Andrade e à falta de opções para a sua posição na equipe.

Apesar da desconfiança inicial, bastaram poucos jogos para Pet conquistar a titularidade e o status de líder do time em campo. Autor de gols importantes, como os dois – um deles olímpico - na vitória diante do Palmeiras, então líder do Brasileiro, fora de casa, levaram o jogador a dividir com o atacante Adriano o coração dos torcedores.

A epopeia do sérvio aconteceu neste domingo, no sofrido triunfo sobre o Grêmio por 2 a 1, e a coroação de uma arrancada impressionante com o sexto título nacional do Flamengo. Pois então, o gringo de nome difícil é ou não é o Imperador do Rio na década?

sábado, 15 de agosto de 2009

Romário: fenômeno midiático


Romário mais uma vez consegue o que sempre teve: mídia. Só que, desta vez, em mais uma de suas jogadas de mestre, tira seu nome das páginas policiais e retorna às manchetes esportivas. Ou alguém é ingênuo em achar que o Baixinho voltará a jogar, desta vez pelo América-RJ, pelo simples fato de satisfazer um sonho de seu pai Edevair, já falecido?

Os inúmeros escândalos que envolvem seu nome nas últimas semanas ‘obrigaram’ o artilheiro dos mil e dois gols a retomar sua carreira, na tentativa de esmaecer a imagem de bad boy que sempre o perseguiu - com bons motivos, registre-se. E que, na mesma proporção, foi relegada a segundo plano por seus feitos dentro das quatro linhas.

E o novamente atacante recorre à bola mais uma vez. Bola esta que não precisa ser usada para prova alguma, apenas para velar meses de pensão alimentícia em atraso, dívidas condominiais e outras acusações mais graves, que justamente pelo fato de serem apenas suspeitas, não merecem citação.

O Baixinho é, certamente, o maior alimento da imprensa nos últimos 15 anos, seja como for. Ou você lembra de ter consumido outro nome tanto quanto o de Romário desde o título mundial de futebol, em 1994? Este sim é o fenômeno midiático da modernidade.

domingo, 4 de janeiro de 2009

E a política ferve no Rio...


O primeiro dos posts de 2009 é dedicado a traçar um panorama político dos quatro grandes clubes do Rio de Janeiro, relembrando os fatos mais importantes dos últimos doze meses e projetando a temporada. E as previsões para o ano vindouro não são nada animadoras.

Imerso em um turbilhão administrativo, o Vasco finalmente atingiu o que há muito já se desenhava: a inevitável queda para a Série B do Campeonato Brasileiro. A busca em brados por culpados pela situação vexatória da equipe teve quase em uníssono o nome do ex-presidente Eurico Miranda. 

Acusado de improbidade administrativa, enriquecimento ilícito, além fraudes fiscais e eleitorais, o cartola deixou o comando do clube em meados de junho último, após disputa ferrenha nos Tribunais de Justiça. Não bastassem as dívidas, o sucessor Roberto Dinamite herdou um planejamento fadado ao fracasso. Principal prova disso foi a promoção, no início de 2008, do ainda atleta Romário ao cargo de técnico do time, posto até então nunca ocupado pelo ex-atacante. 

Desde a péssima campanha no Estadual do Rio, as trocas de treinador se tornaram constantes em São Januário. No último ato, Renato Gaúcho foi contratado para a ingrata missão de livrar o elenco cruzmaltino da degola, o que não se concretizou.

Surpreendentemente, após a queda, os ânimos no Gigante da Colina parecem ter se acalmado. Ainda assim, Dinamite sofrerá pressões de todos os lados, principalmente da oposição, para levar o clube de volta à elite do futebol nacional já em 2009. No final das contas, o ex-mandatário pode sair fortalecido caso o Vasco se mantenha na segunda divisão. 

No Flamengo, perspectivas de uma temporada ainda mais agitada que a do arqui-rival. Em ano eleitoral, o atual presidente Márcio Braga tratou de antecipar que o caldeirão político ferve na Gávea. “Estamos sempre sentados na beira de um vulcão. A bunda está sempre quente”, disse em entrevista ao site Globoesporte.com

Até aqui, pelo menos dez conselheiros mostraram-se interessados em ocupar o cargo máximo no clube. Além disso, a perda da vaga na Libertadores na última rodada do Brasileirão tornou o ambiente desfavorável para a atual diretoria. O vice de finanças, José Carlos Dias, renunciou após denúncias de gastos indevidos no projeto de construção de um estádio, que sequer saiu do papel. 

Outro complicador foram as inúmeras declarações desastrosas de Márcio Braga durante a última competição nacional, principalmente ao afirmar, em certa ocasião, que o Flamengo já preparava a festa para o hexacampeonato. 

Situação mais cômoda, mas não menos preocupante, passa o Fluminense. O clube demitiu recentemente o coordenador de futebol e ídolo Branco, mas não por falhas cometidas durante o tempo em que esteve no cargo. A culpa foi de um processo que o ex-jogador move contra o clube, no qual teve ganho de causa. A diretoria do time das Laranjeiras recorreu.

Para o seu lugar, foi contratado Alexandre Farias, que exerceu a mesma função no Atlético-MG, no ano passado. O problema, neste caso, são as nebulosas ligações que o agora dirigente tricolor mantém com empresários, sendo acusado de aliciar atletas. O presidente Roberto Horcades é outro que não goza o mesmo prestígio de outrora. 

Apesar do vice-campeonato na última edição da Libertadores, o cardiologista sofre com pressões internas de conselheiros opositores que pedem a sua saída. Até mesmo a vitoriosa parceria com uma empresa de planos de saúde está abalada. 

O Botafogo parece ser o clube que deve ter a temporada mais tranqüila entre os cariocas no que diz respeito à administração. A nova diretoria, tendo à frente o dentista Maurício Assumpção, assumiu o comando no último dia 1°. No entanto, o pedido de desligamento do até então vice de futebol na sua chapa, Marcos Portella, às vésperas da eleição, na tentativa de criar uma oposição, quase esquentou o clima. 

Antes mesmo de terminar seu mandato, Bebeto de Freitas renunciou à presidência para assumir o futebol do Galo. O polêmico Carlos Augusto Montenegro foi mais um a deixar General Severiano. Resta agora esperar o início do Estadual do Rio para sabermos se a técnica dos jogadores prevalecerá sobre a política dos clubes.