
Dunga. O que seria Dunga? Faria ele parte do bizarro mundo futebolesco? A resposta, obviamente, é sim. Vamos entender o porquê. Como jogador, foi de besta a bestial. Símbolo da fracassada campanha brasileira na Copa de 1990 - derrota para a arqui-rival Argentina nas oitavas-de-final –, que recebeu a alcunha de ‘Era Dunga’, injusta, diga-se de passagem, capitaneou com méritos o grupo que trouxe o título mundial quatro anos depois, praticamente apagando seu passado sombrio no escrete canarinho. Deixou a seleção após a trágica derrota para os franceses em 1998, dando a impressão de que seu ciclo com a amarelinha havia chegado ao fim definitivamente - a redundância fez-se necessária.
Atleta de pouca técnica, muita raça e avesso aos microfones, o ex-volante em nada representava a tradição brasileira nos gramados, caracterizada pela inventividade, até mesmo no setor que ocupava em campo (vide Falcão, Cerezo e afins). Além disso, nos anos que se sucederam de sua despedida do futebol - se é que o futebol algum dia esteve com ele... enfim -, Dunga nunca demonstrou a intenção de ocupar um cargo, qualquer que fosse, no mundo da bola. Contudo, o ‘grosso’ ex-jogador reapareceu estranhamente como comentarista (?) na TV Bandeirantes, invenção do senhor Luciano do Valle, seu fã confesso.
Surpresa maior aconteceu pouco tempo depois, quando Dunga foi anunciado como técnico da seleção brasileira, sem ter qualquer experiência no comando de uma equipe. Por si só, isso já seria absurdo, mas logo em sua primeira competição oficial, o treinador levou o Brasil ao título da Copa América! E foi uma conquista maiúscula, com vitória sobre os argentinos, que vinham de campanha arrasadora nas fases anteriores, na decisão. Decisão esta em que o time nacional entrou como azarão, aliadas a inexperiência de Dunga ao tortuoso caminho do elenco até a final. Com a improvável vitória, potencializada pela ausência dos principais figurões da seleção, Ronaldinho Gaúcho e Kaká, o comandante, além de calar a boca dos críticos e valorizar um grupo de jogadores antes desacreditados, ganhou enorme crédito com os torcedores brasileiros, quase infindável.
Quase. As pífias atuações nas últimas partidas, com derrotas vergonhosas para Venezuela e Paraguai e um insosso 0 a 0 ante os hermanos, e a incômoda quinta posição na tabela das eliminatórias para a Copa de 2010, puseram o técnico em cheque. Mesmo assim, dificilmente Ricardo Teixeira demitirá o comandante antes do mundial da África do Sul, salvo uma pífia participação do Brasil nas Olimpíadas, o que não deve acontecer.
Para os supersticiosos, vale lembrar que Dunga apresenta traços característicos, apesar de refutados, de alguns técnicos vencedores com a seleção, como a teimosia e a falta de paciência com a imprensa – Felipão é o principal representante desse grupo. Resta esperar. Ah, um registro: não gosto do estilo (sem referência ao extravagante vestuário) do treinador. Pode dar certo? Sim, mas não pago para ver.
3 comentários:
De Dunga, um dos anões da Branca de Neve, não tem nada, a não ser, alguma coisinha, quando se veste com as roupas desenhadas pela sua filha.
Ele é o homem carranca !
Parabéns, o texto está ótimo!
Sucesso e que vc seja cada dia mais jornalista!
odeiofutebol@mascomentei.com.br
É velho só os grandes nomes da crônica esportiva tem um super blog.... n pense q vc esta incluido entre eles .... rsrsrrs.... to zoando velho... o blog ta maneiro.... e so pra constar..... Adeeeeeuuuss Duuuungaaaaa!!!!
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